sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Dimas, o carteiro.

Hoje me chegou a notícia que meu carteiro morreu, teve um ataque cardíaco e não suportou.
Fiquei me lembrando que dia desses, brinquei com ele: Lá vem você! Me trazendo contas! Ele que estava sempre de bom humor, sorria sempre.
Lembrei de quando ele me contou que era separado e morava com a irmã. De quando esteve sumido, e eu reclamei e em meio à gargalhadas me contou que havia quebrado o braço.
Lembrei que está chegando o natal, e com a internet, fazia anos que o único cartão que recebia era o dele.
Lembrei do carinho que minha mãe falava dele, de quanto tempo ele já estava neste trabalho, e de como ficávamos Loucos quando ele tirava férias!
O Dimas nos conhece pelo nome! Os números das casas desencontram!
Como fazia bem o seu serviço!
Sempre rodeado pelas crianças a lhe pedirem os elásticos das cartas.
É eu conheci meu carteiro.
Eu chorei pelo meu carteiro.
Obrigado Dimas...

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ataque ao hospital dos médicos sem fronteiras, Afeganistão .

E se, os médicos sem fronteiras decidirem, o que é um direito soberano deles, bater em retirada do Afeganistão? Como em 2004?
A verdade é que o número de pessoas mortas quadriplicaria.
Resta saber qual a providência que a ONU  tem em mente, tendo em vista que nem a saúde dos norte americanos é cuidada pelo governo e afinal, crimes de guerra são sua especialidade, e não pagar por eles seu destino favorito, que o digam as armas químicas do Iraque que custaram a cabeça de muitos iraquianos, inclusive a de Sadan, que não era um anjo, mas deveria ter tido o direito a um julgamento , e o petróleo que vitimou Kadafi, que queria bombas nucleares vendidas pelo próprio EUA, que pagam de bons moços fiéis detentores da liberdade, e da democracia, demonizando o resto do mundo. 
Fico imaginando se a festa que houve pelas ruas de Cabul quando o taliban subiu ao poder, acabando com a opressão soviética em 1997, se repetiu em 2001, quando os EUA, resolveram varrer o taliban para o Iêmen ? E essa sucessão de opressores se dá há 47 anos...
E as mulheres de burkha, analfabetas, casadas com homens que lhes compraram, cheias de filhos indesejados, tidos com partos sem anestesias, não participam da vida pública, apanham na vida privada, que de tão privada, poderiam dar uma descarga, ninguém pode dar conta.
Algo me grita que a decepção com o taliban, se repetiu com a aliança do Norte. 
E agora, quem adivinha o próximo parasita???
Acabei de ler o livro Mulheres de Cabul, e fiquei revoltada ao constatar a propaganda explícita que o livro é. Conta como a vida das mulheres melhorou horrores, com a chegada dos americanos!
Como se não bastasse os Afegãos que já acham que as mulheres deveriam estar agradecidas por anos e anos de seguidas guerras, incontáveis viúvas e órfãos, produzidos em massa, graças a sua incapacidade de luta, e a fragilidade do sexo feminino, e que ao mesmo tempo dizem que as burkhas, são uma proteção para eles, de nossas atitudes sedutoras. 
Fiquei decepcionada me perguntando se a autora, uma jornalista de renome, estava falando do mesmo país que o mundo sabe e reconhece como machista, cruel com as mulheres.
O que eu possou dizer?
Quem me dera ela esteja  profetizando... 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Estrela D'Alva.

O sabonete protex, ômega 3, tem definitivamente o cheirinho da casa dela.
Era uma casa muito limpa,e nós mesmo crianças, participávamos da limpeza, e éramos chamadas à responsabilidade.
 D. Dalva era boa na cozinha, comida da fazenda, daquelas que se começa a comer pelo cheiro. Renatinha, filha dela, minha amiga e elo, brincávamos todos os dias, o dia todo, e gostávamos uma da outra. Eu sabia meu lugar, e gostava dele. Sr. Renato, pai e marido exemplar, saía cedo, e chegava tarde, sua presença era minha hora de ir. 
Passei boa parte da minha infância com eles, aprendi a lavar, passar e cozinhar com ela, lembro-me que sua casa era meu refúgio, enquanto meus pais brigavam, lá eu podia ser criança. Não sei como tudo acabou, não houve nada, ninguém disse nada, apenas crescemos. O lugar se apequenou, mas ficou tudo guardado.
Agora minha mãe estava morta.
Dois anos haviam se passado e eu andava pelas ruas de Nilópolis quando a avistei, do outro lado da rua. Passos pequenos e não tão apressados como antes, corri ao seu encontro. Perguntou por minha mãe, choramos juntas, reclamou da Renata,uma rebelde!, definiu, falou-me dela como quem fala de um bebê, sorrimos ao constatarmos isso. Estava bonita mas trazia marcas no rosto, não quis perguntar, me acovardei, deixei que continuasse a pensar que as horas, dias, meses e anos que passei em sua casa, fosse pela companhia da sua filha. Me convidou para um café, mas não tive forças, seria como voltar a um tempo impossível, tive de recusar. Na despedida, a abracei como se abraça um marido que vai à guerra. 
Nunca mais a ví.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Toc...

   Estou em plena crise de toc.
   Meus pensamentos têm outro dono,
   Que não eu,
   Tenho medo de quase tudo,
   De quase todos,
   Covarde e sozinha.
   Covardemente sozinha.
   Ontem agradeci a Deus,
   por ninguém ter vindo aqui,
   Sou muito fiel às minhas feridas,
   Quem as lambe sou eu,
   Se é loucura, ainda assim,
   É minha,
   Guardada, secreta,
   Sufocada e escondida.
   Não preciso de juíz,
   Preciso do alívio.
   Não quero muletas, 
   Já conheço muito bem o caminho,
   Essa trilha eu sei se cor,
   Pensei estar segura,
   Mas o abalo sísmico,
   Expôs as fendas...
   Feridas que não fecham,
   Memórias que se prestam
   A me fazer sofrer,
   Torturar minha mente.
   Onde se esconde quando quero?
   Não espero que ninguém entenda,
   Não queria nem ser eu,
   Para precisar ser entendida,
   Só quero respeito.
   A muito tempo desisti de ajuda,
   Só quero paz.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Oscar wilde.

O mundo é todo seu... Pelo menos, por uma temporada...

     O retrato de Dorian Gray. (Explicando sobre a juventude). 

Cecília.

Bão, ba-la-lão, senhor capitão, espada na cinta, mosquete na mão. 

     Pensando nela
             Saudades Cecília.

É isso.

Os limites da minha linguagem, denotam os limites do meu mundo.
           Ludwig wittgenstein

O sonho. Um sonho.

   Essa tarde sonhei, e fazia anos que não sonhava. 
    Sonhei com uma criança, que ela chorava, chorava muito, e de uma maneira muito estranha, ela não falava minha língua, e nós nos entendíamos, e eu queria esconder uma desgraça dele, e de alguma forma eu sei que ele era Palestino, mirrado, sujo, empoeirado e extremamente marrom, vários tons, roupas folgadas, grandes, beje, muito surradas, uma faixa vermelha prendia o conjunto de calça e blusão ao corpo.
    Me aproximei dele, e ele era bastante receptivo como nunca ví um palestino ser. Me abaixei, nos abraçamos, e em meio à tudo aquilo perguntei o porquê do choro, e ele cada vez chorava mais, e eu refutei: Você viu tudo?, ele apenas acenou que sim com a cabeça, e eu senti que era tarde demais, me desculpei enquanto o fogo cresceu diante de nossos olhos.
   Acordei.
   Será que este sonho quer dizer alguma coisa?
   Porque palestino como Cristo?
   Porque criança?
   Como eu sabia?
   Como eu o entendia?
   Porque?

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Família.

Há muito deixamos de ser, reconhecidamente o que se pode chamar de família. Ainda lembro, posso ouvir!, dona Dorinha dizendo: -Nossa família é unida!, e eu respondendo sorrindo: - É vó, não perdemos um enterro! Agora nem isso! Só soube do último porquê entrei na internet, e eu entrei em contato. Acho que o disfarce acabou, as máscaras caíram ao mesmo tempo em que as matriarcas baixaram a terra em seus caixões. O retrato da família feliz encerrou ali. Acabou. A cortina baixou, as luzes acenderam e descemos do palco. Como não percebi?
Bem, agora, estão todos libertos, alforria à todos nós! Ninguém mais tem a obrigação de visitar-me ou curtir meia posts, isso é coisa que minha educação não permite reclamar a ninguém. Não se pode exigir essas coisas, não quero e não preciso. me deixem em paz!
Família... Um projeto de Deus que não deu certo...

domingo, 12 de julho de 2015

Enfim, o fim.

   A vida termina pra uns, e tudo parece indiferente a todos os outros, ou a maioria deles. O vazio que agora ocupa meus ossos, minhas veias por apenas pensar na situação como um todo, de certo deve ressoar como tiros sobre o corpo frágil da mãe.
   O mundo permanece como é, numa substituição insana, como se a vida nada valesse, como se não percebesse que algo anormal ocorreu.
   Desde que o mundo é mundo, eu me reconheço assim, fico vazia quando alguém se vai, mesmo que não seja tão meu, tão próximo, lamento por tudo, pela tenra idade, pelas oportunidades perdidas, pelos que ficam, pelos que lutaram, tentaram, enfim, pobre de mim, passo a vida a lamber minhas feridas, em verdade, chego a invejar a maioria, que consegue levar a vida indiferente às desgraças alheias. Eu não consigo, já tentei, não consigo. Chego a chorar, e sei que isso não me faz bem, mas não é de mim evitar.
   A morte tem muitas histórias, pena que não pode contar, quem não gostaria de saber o último pensamento de um ente querido? Só ela poderia contar...
   Esteja onde estiver, eu lamento, só consigo lamentar...e

Cinco estágios da morte:



1- Negação.
2- Raiva.
3- Barganha.
4- Depressão.
5- Aceitação.

Sobre a sala de espera.



Esperar, definitivamente não é coisa pra mim.
As pessoas passam, enfermeiras, faxineiras, todas as "eiras", e niguém me vê, embora todos me olhem.  
 Uns sentam, outros levantam, e o balé não tem fim. Braços que se cruzam, se extendem, sussurros, risos, choros, lágrimas e consolos. Cabe tudo aqui.
Só eu que estou sobrando, porque não sei esperar. 
Não aguento.
Não quero.
Não aprendi.
Preciso do meu marido.
Preciso dele denovo aqui.

Um senhor me olha,
Acho que percebe que estou ao celular...
Seu olhar é de quem diz: - como ela pode manter a calma??? 
Mando um olhar de volta respondendo: - você que pensa...

Porque odeio junho e julho.



É realmente simples.
Porque é que pobre tem mania de explodir dinheiro??? (Sem alusão aos presentes, que dirá aos ausentes.).
Não pode sobrar dois reais do salário que dão ao filhinho, para apoquentar o vizinho! Tenha dó!
Daí vc mora na favela, e tem que ouvir as tias velhas repetindo a cada estampido: - Isso é tiro meu filho???
Inferno!
In-fer-no!

A vida.

Temos que estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para desfrutar da vida que nos aguarda.
               Joseph campbel 

Castro Alves.

Castro Alves toma a natureza como matádora para as expressões de ideais elevados e da volúpia do amor e do desejo, retratando as suas aspirações no lado das paisagens brasileiras em versos de beleza incomparável. A morte em Castro Alves aparece como amargura limitadora do desejo de viver. Ele ama a vida e seus prazeres, tem desejo de mudar as estruturas sociais de seu país.

"Queremos viver tudo e fora dos guetos. E se não sabemos por onde vamos, sabemos que por aí não vamos".

sábado, 11 de julho de 2015

A morte.

A morte nos ronda de todas as formas, impossível passar um dia sequer, sobre essa terra, sem bater de frente com ela, e no meu caso, sair lambendo as feridas...
Sem querer, entrei no face da Marlice..., juro, não procurei por ela, aconteceu. É como falo, a morte rondando...
Lembrei de como aparentava ser forte, de como somos parecidas, esta espontaneidade é da boca pra fora, enquanto a dor que me corrói os ossos, mas não aflora o que tem de podre por dentro das carnes a se debater como vivos, e ao chegar no limite, explode adormecendo a mente, seguindo por um torpor inebriante a se derramar em lágrimas, feito larva fervente de um vulcão... Vem um alívio momentâneo e o processo recomeça, essa fonte nunca seca... Nunca.
Eu estou cansada. 

O que eu vi.

Passando de ônibus, e eu o ví, apesar de coberto percebi que era homem pelos sapatos sociais pretos, bem engraxados que ficaram de fora do lençol arranjado às pressas. Não havia sangue, somente seu corpo, em forma de cruz, com seus braços semi abertos, como se tivesse acabado de cair alí... Só o lençol denunciava tudo.
E tudo aquilo me acertou como uma pedrada. 
Tampei os olhos e os ouvidos e gritei: -Deus! Eu ví um morto!!!. 
É eu ví o sapato, o lençol, e imaginei o morto. Imaginei uma esposa, que lhe engraxou os sapatos ontem à noite, sem saber que seria a última vez, que faria isso pra ele... Quem sabe reclamou? 
Imaginei filhos, que sequer poderiam imaginar tal coisa, hoje, uma sexta-feira qualquer...
Um ônibus qualquer, naquela cancela, que todo mundo finge que não vê o perigo que é!
Um homem, talvez um marido, talvez pai, um ente querido de sapatos engraxados, num lugar esquecido, uma cancela maldita, um ônibus assassino. 
Foi isso o que eu ví.

Choque.

Eu ontem fiquei assustada comigo. Queria gritar, me debater, pedir socorro, mas apenas abri a boca e disse... Entre admirada e decepcionada, o ví saindo pela porta, um misto de indignação e descrédito no olhar era o que ele carregava, e meu orgulho o seguiu, permaneci calada, apenas fechei os olhos, senti que as lágrimas vieram, a respiração se foi, por um instante senti meu coração parar... Daí veio o espanto, procurei minhas lágrimas, e não encontrei, elas não vieram, chorei por dentro, me sentia alagada, meu peito chiava, mas nada saiu.Topiramato???  Eu sei que as notícias podem não ser boa, eu ainda não sei,o que sei é que ficou bem maior, e meu medo também, e eu não esperava, juro, só estou muito perdida, não sei por onde começar, nem com quem conversar... A verdade é que as vítimas de impacto súbito são as mais difíceis de se tratar.  Não estou reclamando, solidão a muito não é um problema pra mim, até gosto, mas essa com certeza vai ser uma experiência muito nova pra mim. Borá viver!

Sozinha.

O que define algo novo? Uma novidade? O fato de não ter precedentes? Então óbviamente o que vivi ontem não é novo para quem não vive na pele em que habito, mas a forma como experimentei a dor ontem, foi surreal, foi enlouquecedor. Eu podia ouvir cada barulho como quem fala próximo a um ventilador ligado, como naquela brincadeira de criança, e os olhos, só posso olhar em linha reta, Deus me livre mexe-los, dói dentro da cabeça. Falei um pouco mais ao telefone e me deu vontade de vomitar, o mundo deu voltas ao meu redor. E eu mal acabei de acordar, e sinto os sintomas voltando... Parece um pesadelo.
Mas a novidade? A novidade é simples, a dor é minha, é só eu sei o tamanho dela, não sei explicar, tenho medo que pensem que enlouqueci, mas posso ouvir as batidas do meu coração, e no maior dos meus silêncios tive a impressão de ouvir o sangue correndo... 
Estou sozinha nessa, mas nesses casos, quem não está???

Trauma.

Tem coisas que a gente sabe, que embora nunca mais fale, evite até em pensar, simplesmente nunca vai esquecer...
Seria o que os psicologistas chamam de trauma, mas nós os estudantes de letras, a palavra sempre dizem tudo... 
Trauma: uma trama, que nos engessa a alma, se pensar bem, é até simples. No começo , como em toda a trama, os fios são recém feitos e apertados, ajustados, e quando você pensa no fato em sí, a trama de tão justa (outra palavra de duplo sentido...), nos impede até de respirar..., mas com o tempo... Ah, o tempo..., o maior aliado das nossas causas impossíveis, afrouxa levemente a trama, não que isso as torme confortável, apenas suportável. E assim vamos vivendo, aprendendo antes de tudo o que é pra mim, o mais difícil, me perdoar.

Probabilidade.

Hoje eu quero falar de probabilidade, é eu sei que a galera de letras, prefere manter distância do povo das exatas, mas reconhecer que probabilidade é antes de tudo, uma inutilidade, é questão de inteligência, de esperança e vida.
É até fácil fazer as contas...( contas...kkkk).
Segundo o NSC, National Safety Council, a probabilidade de uma pessoa saudável, morrer de um ataque fulminante de coração, é de um para cinco.
Enquanto a probabilidade de morrer ao cair de uma escada é de um para dois mil, trezentos e sessenta quedas...
Conclusão, minha mãe deveria estar sentada aqui na sala, comigo, vendo televisão e comendo rosquinhas.
Probabilidades são um saco!!!

Paulo Betti.

"O sapo não pula porque quer..., mas por necessidade...". Assim Paulo Betti, abriu seu monólogo na noite de ontem no centro cultural dos correios, no Rio de Janeiro, e graça a Deus, eu estava lá! Primeira fila, ansiosa, mal dormi...
Paulo em sua comemoração, de 40 anos de carreira nos deu de presente sua vida, sua infância e juventude. Quem esperava um apesar de..., se surpreendeu ao ver se desnudar em nossa frente um homem resolvido, simples, que ama e valoriza suas raízes e principalmente, nunca se apartou delas... A emoção fica por conta das perdas inevitáveis que como ele mesmo descreveu, e que "em seu tempo" aconteciam mais de perto, hoje poupamos mais as crianças. Um espetáculo recheados de fotos, e anotações de lembranças que Paulo faz questão de resgatar uma a uma, com um carinho perceptível aos espectadores. Entre lágrimas e sorrisos, a peça segue suave e o tempo que não é amigo nessa hora, consome duas horas em dois minutos...que pena que acabou! 
Só nos resta agradecer à Dona Adelaide, - A de Semblante nobre, e ao senhor Ernesto,- O combatente, pela vida do Grande Paulo, - O pequeno!!!

Morte de filho.

    

Quem perde o marido, é viúva, 
Quem perde os pais, é órfão,
Deveria ao menos ter um nome pra isso...
Talvez, quem sabe...
A maior dor do mundo...
A sem nome...
A que o homem tenta fingir que não existe,
Por isso não nomeia,
Tem medo que esta lhe encontre, 
E lhe bagunce a vida,
Sem ao menos deixar,
O nome...
Olha!!!

O íntimo da arte.

   Seus passos podiam ser ouvidos facilmente pelas escadas e corredores do edifício que o levava para o seu apartamento. Nas mãos compras, alimentos para o corpo e para a alma. Pães e tintas.
   Muita pressa, a inspiração lhe invade, suava muito, aflito...precisava ventar...
   Pobre homem... abre a porta afoito, fecha com o pé, ela bate, larga os pacotes na mesa da cozinha. Procura seu tesouro. Revira, acha as tintas, todas que faltavam... joga uma por uma na palheta, completando seu arco-íris predileto, seus pincéis já limpos, o aguardam, precisam ventar...
   Retira a camisa, joga sobre o sofá, põe o avental, escolhe a tela, tem que ser grande, o vento é forte...
   Se agarra aos pincéis, seu coração bate mais forte, não é necessário rascunhar, nada mais é necessário.
   Com pinceladas fortes, ora grossas, ora finas, dá início à ventania, e a cada pincelada o vento aumenta, começa com cores leves e já vai escurecendo no pequeno cômodo, como num redemoinho, um olho de furacão; A inspiração o arrebata por completo.
   E um frenesi extremo, o vento mostra sua arte, seu dom, sua fúria.
   Do lado de fora, alheio a tudo isso, os pássaros cantam, mães passeiam com seus bebês, e nem desconfiam que ali dentro daquele edifício antigo, no terceiro andar, um homem franzino, um furacão que constrói, lhe arranca as forças.
   Se pudessem ver, não entenderiam os movimentos daquele homem, com pincéis nas mãos, enlouquecido, em meio a ventania, num turbilhão de pensamentos. Calado, sua alma grita!
   Terminado sua obra, o vento cessa, a chuva cai.
   E finalmente o homem descansa em paz.


   Feita em 10/03/2015,  00:40h.
   

Notícias do mundo de cá.

Estou sentada na sala,
Já não há quase nada do que você deixou,
Mas o chão, o chão me lembra você...
Seu jeito de limpar o chão com os pés,
Para só então, sentar.
Consigo até imaginar você gostando da decoração.

Chego na cozinha, ganho bananada,
Lembro que você gostava de frutas, toneladas...
Abro e como...
Quase me engasgo,
Saudades.

As dandãs, sobrevoam minha mente novamente,
Chego ao fundo das coisas.
Tudo está mudado,
Menos o essencial,
Juro que eu esperava,
Esperei eu demais?
O fundamental, isso não...

A vida continua igual.
Aquilo que daria sentido
À sua amarga vida,
Daria até um novo sentido,
À sua repentina partida...
Isso, continua intocável,
A razão de tanto pesar,
De tamanha pena de si mesmo,
De vilipendiação, quase que diária...
É como eu disse:
O que era vazio,
Permaneceu vazio.

Embora eu sinta que você já esperava.
Eu gostei do breve tempo de ilusão,
Sei que as notícias não são boas,
Por isso, estão todas do lado de cá...

Feito no sofá da Helô.  Quarta-feira, 25 de maio de 2011.  18:12h.

O que houve enquanto se mexia.

Ele passou pelo quebra-molas,
A tampa da mala
Da moto
Se abriu,
Deu a volta,
Encostou no meio-fio,
Tirou o capacete.
Saiu.
Só foi preciso um esbarrão,
De leve,
Só um esbarrão.
Moto, rapaz, mala, tudo.
Tudo no chão.
Todos olhando.
A moto rodou,
Feito pião de menino,
E o menino,
Feito menino...
Agora estirado no chão,
Alguém faz sinal.
Ambulância.
Mas não havia porque na pressa.
Não a pressa pela vida,
só a pressa de quem vive,
A pressa de quem passa,
Indiferente,
Pensando só...
Em chegar em casa.

Sexta-feira, 24 de junho de 2011.  17:10h

Sielito Lino.

Sielito lino...
Gato e violino,
A vaca pulou sobre a lua,
Ao ver o que ela fez,
O cachorrinho riu,
A colher com o garfo fugiu.

Saudades, como esquecer a todos???

Segunda-feira, 29 de agosto de 2011, as 17:14h.