quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Meu Banheiro.

O banheiro da minha casa sempre foi um lugar especial pra mim.
Na minha infância, refúgio durante as brigas horrendas dos meus pais.
Eu me trancava, sentava no canto, encolhia os joelhos, tampava os ouvidos e espremia os olhos.
Na adolescência, chorava diante do espelho lamentando as transformações do meu corpo martirizando minha alma confusa e solitária.
Durante minha gravidez não planejada, e meu primeiro casamento, servia-me de confessionário, e eu dialogava com minha filha, e podia ter meus ataques de fúria, contida sob os olhares de todos.
Um pouco mais velha, passou a ser o meu fumódromo, arma que encontrei para vingar de mim mesma e da minha subserviência voluntária, minha falta de amor próprio e de vontade de viver.
Cresci, me casei e desde então, nunca mais consegui ficar muito tempo no banheiro, sei lá.
Hoje meu banheiro não tem porta, deu cupim, e gosto da ideia de que Deus ouviu e viu tudo o que me aconteceu e que esses cupins, comeram meu cativeiro, e eu estou recebendo a resposta divina: O tempo de chorar acabou. Conte ao mundo sua história, desabafe.
É lógico que não deixei de chorar, continuo tendo motivos para isso, a diferença é que posso chorar pela casa inteira.

Quantas histórias cabem na minha cabeça? Quantas histórias carrego caladas no meu coração?

quarta-feira, 23 de março de 2016

Vontade...

Eu e minha enorme vontade de comer camarão, estávamos encostadas em meu portão...
Olhava desatenta ao desfile de alunos e seus responsáveis apressados pela chuva, quando me deparei com a cena:
Meu vizinho, conversando com um homem, apontavam para um colchão no lixo:
- Este ainda está bom! Olha só, nem esta rasgado! Se lavarmos vai ficar ótimo! Disse meu vizinho.
O homem observou:
- Tem outro ali dentro, vamos ver se não está melhor?
- já ví irmão! Aquele é com madeira por dentro, está todo quebrado, não vale a pena não!
Juntos, cada um numa ponta, pegaram o colchão e puseram na kombi, ambos sorriam, e eu chorava...
Foram embora levando o colchão, minha soberba, e minha vontade de comer camarão...
Deixaram-me com a certeza de que o lixo de um é o luxo do outro.
Bora viver!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Porque a minha vida é doce.

Quem dera pudéssemos com palavras, livremente escritas, transmitir nossas experiências de vida, nossas falhas, nossos erros, acertos e vitórias.  Quem sabe esse não seria o caminho para não recairmos nas mesmas armadilhas do destino? Quem sabe esses malfadados manuscritos, se transformariam em um verdadeiro     " mapa da mina", um projeto de felicidade, para as futuras gerações  ou quem sabe um jeito de desopilar, expurgar nossos demônios, ou simplesmente lamber nossas feridas... Mas isso tudo é um sonho...
E hoje, vivo feliz por que as lembranças nos permite viver, mas o esquecimento nos trás uma mente saudável, mas todas as tristezas podem nascer ou renascer se você as puser numa história... Qual será a minha história? Qual é a sua?
A felicidade que hoje invade meus dias, eu tive de conquistá-la.
Esse legado de experiências que não podemos transmitir, temos que assistir vez por outra, alguém, amado, próximo, enveredar pelo mesmo caminho... Como é difícil, ser mero espectadora de um drama. 
Impossível não maximizar os danos, não prever as perdas e se pegar chorando... Como evitar?
Como explicar o inexplicável?
Ser equilibrada exige muito mais de você do que ser forte..., o equilíbrio vem das quedas, dos erros e do medo, que é quase tão amargo quanto a morte.
O que as pessoas fazem conosco, não é tão importante quanto o que nós decidimos fazer por nós mesmos, porque as escolhas que fazemos moldam até nossa estrutura física, e principalmente mental, e somos uma resposta a tudo o que nos permitimos, e isso se chama, amadurecimento.
Como fazer alguém amadurecer?
Não podemos.
Porque não podemos viver por elas.
Como fazê-la compreender que não está sozinha e que não foi a primeira e nem será a última a ter experiências ruins? Que não precisa ter vergonha de cair? Que demonstrar fraqueza não é crime, e estar confusa tendo um colo é muito mais passageiro... E que eu, eu sempre estarei por perto, mesmo que ela não queira, vai me ver por perto.
Quem ama cuida.
Me deixa cuidar de você.