E tudo aquilo me acertou como uma pedrada.
Tampei os olhos e os ouvidos e gritei: -Deus! Eu ví um morto!!!.
É eu ví o sapato, o lençol, e imaginei o morto. Imaginei uma esposa, que lhe engraxou os sapatos ontem à noite, sem saber que seria a última vez, que faria isso pra ele... Quem sabe reclamou?
Imaginei filhos, que sequer poderiam imaginar tal coisa, hoje, uma sexta-feira qualquer...
Um ônibus qualquer, naquela cancela, que todo mundo finge que não vê o perigo que é!
Um homem, talvez um marido, talvez pai, um ente querido de sapatos engraxados, num lugar esquecido, uma cancela maldita, um ônibus assassino.
Foi isso o que eu ví.
Nenhum comentário:
Postar um comentário