terça-feira, 16 de agosto de 2022

Sarah, minha Sarah.

Uma mesa de bar...
Quatro chapéis de festa.
Um tapete forrando a sala.
Escudo do flamengo na janela.
Nenhuma cadeira.
Nada brilha além de três velas compradas pela mãe na padaria da esquina, em formato de estrelinha com o número 5 na maior.
Você rola pelo chão, brinca de virar "coelhinho" imitando Lola.
Talvez sua lembrança mais querida, fez questão de me mostrar.
Na casa não há móveis, cama, mesa, nada que lembre uma casa acolhedora.
Falta tudo.
Quem sou eu pra julgar...
Ninguém da família.
Nenhum conhecido.
Pessoas estranhas cantarão " Parabéns a você "e você sorrirá feliz, ao menos por enquanto.,
Como posso querer estar em suas memórias?
Eu queria te dar o mundo mas mal posso te dar minha presença.
Eu te amo, princesa.
Você está pra sempre na minha memória e coração, não vejo a hora de poder fazer você entender tudo isso...
5 anos, parabéns querida.
Eu queria estar aí.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Mais um dia.

     Hoje o dia está pesado.
     Na escola me senti agitada e muitas vezes ofegante sem ter feito esforço, até que gosto de me sentir assim pois fico disposta, alerta e falante, mas na saída, uma amiga me deu a notícia que Jô Soares havia morrido e eu, ainda esbaforida fui verificar na internet, era verdade. Uma quentura subiu pelo meu corpo, especialmente nós lugares doloridos, daí por diante, comecei a chorar por tudo e por nada, chorei por ele, pela mãe atropelada, pelo filho, pela pandemia,  pela guerra, por não estarmos melhores, nem maiores depois de três anos de tamanha desgraça diária... Até que cheguei em Sarah, minha Sarah, e eu fiquei imaginando se mais tarde, lá na frente, ela, assim como eu, vasculhar suas gavetas de memória, se ela iria me encontrar, me ver, e isso me consumiu o dia inteiro, sem falar com ninguém, como um grave segredo que me condeno volta e meia, a história se repete, e repete e eu sei, o inferno é repetição... E eu estou agora aqui, por isso, preciso me esvaziar de mim mesma... Sozinha as duas da manhã, lambendo minhas feridas. 
     Terei de resolver se estar sozinha é liberdade ou solidão, hoje é solidão mas bem que podia ser liberdade, me libertando de pensamentos que me açoitam, me chicoteiam as costas, e percorre todo o meu corpo, uma torrente de sentimentos que precisa parar antes que eu enlouqueça.
     Mas hoje é só mais um dia, eu espero estar menstruada amanhã, explicaria tudo.
     Me lembrei do encerramento de uma oração Islâmica que diz: "Não deixei que nos percamos depois deles..."
Assim seja.