domingo, 11 de maio de 2025

Tia Marina.

Só a vi uma vez.
Perfil de passarinho.
Manda, quieta, se limitava 
A falar quando provocada.
Resolvia tudo num café.
Não casou,
Não teve filhos.
Seus sobrinhos, e seus amigos,
Eram seus filhos.
Era ouvida, obedecida.
Sem tempo pra religião,
Era forte por ser forte.
Levou junto com a irmã 
Toda a família pela mão.
Sem gritos, sem drama,
Apaziguadora, centrada.
Nada a tirava da sua paz.
O interior?
Só Deus conhece,
A Deus pertence.
Não era da minha família,
Como eu disse,
Só a vi uma vez.
Catei migalhas dos comentários
Que ouvi dela.
Hoje faz uma semana 
Que fui ao enterro dela.
Queria tê-la conhecido mais.

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