quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Meu Banheiro.

O banheiro da minha casa sempre foi um lugar especial pra mim.
Na minha infância, refúgio durante as brigas horrendas dos meus pais.
Eu me trancava, sentava no canto, encolhia os joelhos, tampava os ouvidos e espremia os olhos.
Na adolescência, chorava diante do espelho lamentando as transformações do meu corpo martirizando minha alma confusa e solitária.
Durante minha gravidez não planejada, e meu primeiro casamento, servia-me de confessionário, e eu dialogava com minha filha, e podia ter meus ataques de fúria, contida sob os olhares de todos.
Um pouco mais velha, passou a ser o meu fumódromo, arma que encontrei para vingar de mim mesma e da minha subserviência voluntária, minha falta de amor próprio e de vontade de viver.
Cresci, me casei e desde então, nunca mais consegui ficar muito tempo no banheiro, sei lá.
Hoje meu banheiro não tem porta, deu cupim, e gosto da ideia de que Deus ouviu e viu tudo o que me aconteceu e que esses cupins, comeram meu cativeiro, e eu estou recebendo a resposta divina: O tempo de chorar acabou. Conte ao mundo sua história, desabafe.
É lógico que não deixei de chorar, continuo tendo motivos para isso, a diferença é que posso chorar pela casa inteira.

Quantas histórias cabem na minha cabeça? Quantas histórias carrego caladas no meu coração?

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